Publicado por: Patrícia Paz | 27/01/2011

Fibras

Conheça os benefícios desse nutriente

Deseja emagrecer? Saiba que as fibras podem auxiliá-lo, e muito, nesse processo. Além de manter o bom funcionamento do intestino e da saúde em geral, elas ajudam a reduzir a velocidade da digestão, propiciando uma sensação de saciedade que mantêm o organismo alimentado por mais tempo. Presente em frutas, hortaliças e grãos, esse nutriente ainda reduz o risco de uma série de doenças no aparelho digestivo.

Por serem compostos de origem vegetal, as chamadas fibras dietéticas não estão presentes em alimentos como carnes ou leites e podem ser divididas em dois grupos: as solúveis e insolúveis em água. No primeiro grupo encontram-se, sobretudo, os farelos dos cereais; já no segundo grupo, os alimentos mais comuns são o farelo de trigo, sementes e frutas.

Vale lembrar que as fibras ajudam a manter a regularidade dos movimentos intestinais e reduzem tanto o colesterol ruim como o risco de doenças coronárias. Estudos recentes também revelaram que pessoas diabéticas podem obter grandes benefícios com o nutriente, uma vez que as fibras solúveis são capazes de baixar os níveis de açúcar no sangue e aumentam os níveis de insulina.

Quando a alimentação não contém uma quantidade adequada de fibras, os carboidratos da refeição podem ser digeridos de forma muito acelerada e isso provoca um rápido aumento do nível de insulina, ocasionando o acúmulo de gorduras, se essa ingestão de carboidratos implicar num excesso de calorias. Essa variação de insulina no organismo desencadeia a sensação de cansaço e fome por alimentos com alto teor de açúcar. Numa alimentação onde exista carência de fibras, registram-se ainda a ocorrência de prisão de ventre, arteriosclerose e um maior risco de câncer.

Contudo, as fibras devem ser consumidas dentro dos limites estabelecidos como saudáveis, pois seu excesso também proporciona graves consequências, entre elas a redução significativa da absorção de ferro, zinco e outros minerais importantes. O Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos recomenda a ingestão diária de 30 gramas de fibras. O brasileiro das grandes cidades ainda está longe desta meta, pois segundo dados do Estudo Nacional de Despesa Familiar (Endef), do IBGE, o consumo médio de fibras por pessoa em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre é de aproximadamente 20 gramas.

*Texto originalmente publicado no site Abílio Diniz

Publicado por: Patrícia Paz | 27/01/2011

Um pequeno e tímido retorno

Há males que vêm para o bem. Outros que vêm para males piores ou coisa que o valha.
Não sei definir o que será o retorno ao blog, mas passo a escrever novamente aqui. Após um longo e não tenebroso inverno!

Publicado por: Patrícia Paz | 29/10/2009

Só sete anos

O governo federal pode criar um Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) especial para as Olimpíadas de 2016. O objetivo é garantir a realização pacífica dos Jogos no Rio de Janeiro, segundo informou o ministro da Justiça, Tarso Genro. O Pronasci foi lançado pelo governo federal em 2007 auxiliará os Estados na qualificação e capacitação das forças policiais.

Enquanto isso, na mesma cidade maravilhosa, sete anos antes do tão sonhado evento internacional, o coordenador do grupo AfroReggae, Evandro João da Silva, foi baleado no Centro do Rio, em mais um caso de violência no Rio.

Para agravar a situação, imagens revelaram a omissão de policiais, o capitão Dênis Bizarro e o cabo Marcos Salles, no socorro à vítima e indicaram o possível envolvimento da polícia no crime, liberando os suspeitos e “apreendendo” os objetos roubados. A polícia agora investiga os policiais que participaram da ação, que não resultou em nenhum preso e um morto.

Graças aos céus que em sete anos essas ocorrências serão infortúnios do passado. Salve a Olimpíada!

Publicado por: Patrícia Paz | 29/10/2009

Novela venezuelana

Venezuela sobe mais um degrau na corrida para o ingresso ao Mercado Comum do Sul (Mercosul). Nesta quinta-feira (29/10), a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou o ingresso da Venezuela ao bloco econômico, restando agora passar pelo plenário do Senado.

Há controvérsias sobre a entrada da Venezuela ao Mercosul, em decorrência do presidente Hugo Chávez. A ala da oposição defende a ideia com a afirmação de Chávez não possuir princípios democráticos e ter discurso antiamericano. Já a ala favorável defende a ideia do povo venezuelano ter direito a democracia, podendo assim exigir o cumprimento de princípios democráticos uma vez dentro do bloco.

Publicado por: Patrícia Paz | 02/10/2009

Se o mundo não acabar em 2012

Os jogos das Olimpíadas 2016 já têm sede, serão no Rio de Janeiro, a Cidade Maravilhosa. A disputa foi entre as cidades de Madrid, Tóquio e Chicago. A votação ocorreu hoje (02) em Copenhague, Dinamarca e foi realizada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

Rio de Janeiro, cheia de encantos mil, levou a melhor na votação dos membros do COI, vencendo Madrid na última rodada por 66 votos a 32. Chicago e Tóquio foram eliminadas nas rodas anteriores.

O Coração do meu Brasil apresentou o projeto mais caro ao COI. O custo é de US$ 13,92 bilhões, dos quais 72% correspondem ao orçamento destinado às diversas obras de infraestrutura necessárias, incluindo as reformas do aeroporto e do metrô. O orçamento operacional soma US$ 2,82 bilhões e será financiado em parte pelo COI (31%), patrocinadores (20%) e a venda de entradas (14,4%), porcentagem que equivale a apenas US$ 406 milhões, a menor renda de ingressos entre as quatro candidatas.

Os organizadores do berço do samba e das lindas canções esperam vender 7,1 milhões de entradas, um número também baixo, apesar de o preço previsto ser de aproximadamente US$ 35 por espetáculo. A candidatura carioca apresentou garantias plenas para pagar o alto preço dos Jogos, que foram assumidas em partes iguais pelos governos federal, estadual e municipal.

O Rio, jardim florido de amor e saudade, pretende gastar US$ 11,1 bilhões, que correspondem a obras de transporte (50%), saneamento (12%), energia (8%), segurança (7%), instalações esportivas (4%), Vila Olímpica (4%), outras vilas (8%) e centro de imprensa (2%), entre outras.

No que diz respeito às praças esportivas, os Jogos do Rio, que vivem na alma da gente, contarão com 33 instalações, sendo que dez delas já estão concluídas e não necessitarão de reformas fundamentais, oito serão reformadas, nove serão totalmente construídas e ainda serão instaladas outras seis estruturas temporárias.

A Vila Olímpica, que é o altar dos nossos corações, contará com 32 prédios de 12 andares e capacidade para 17.700 camas e alojará a metade dos atletas a menos de 10 minutos a pé de seus centros de competição.

O sistema de transporte, ninho de sonho e de luz, terá 70 quilômetros de pistas duplas exclusivas para ônibus, ainda por construir, que custarão US$ 1,23 bilhão e que apoiarão os 300 quilômetros de pistas que serão reservados para a livre circulação dos veículos da “família olímpica”.

Serão concluídas as obras do anel viário, que cantam alegremente, (US$ 600 milhões), será ampliado o sistema de metrô e de trem (US$ 1,31bilhão), será renovado o parque de composições destas linhas (US$1,35 bilhão) e será ampliado o aeroporto internacional (US$ 400 milhões). A oferta de alojamento garante 13.000 quartos de hotel, 25.000 em vilas de nova construção, 8.500 em seis navios de cruzeiro ancorados no porto e 1.700 apartamentos.

O COI, que Deus te cubra de felicidade, pôs em dúvida as garantias apresentadas para os navios e apartamentos e alertou ainda sobre os riscos financeiros na construção das vilas. A maior delas, perto da Vila Olímpica e o núcleo central dos Jogos, Terra que a todos seduz, abrigará 15.000 profissionais em apartamentos duplos de três estrelas.

Vamos torcer para que o mundo continue operante e positivo após 2012 e que a Cidade Maravilhosa do Rio de Janeiro não repita o fiasco Os Jogos Pan-Americanos de 2007, que rendeu até investigação do Tribunal de Contas da União (TCU). Orçado em cerca de R$ 1 bilhão, A infraestrutura para os jogos custou cerca de cinco vezes mais.

Adaptação da matéria veiculada na Folha Online

Publicado por: Patrícia Paz | 02/10/2009

La Negra

A cantora argentina Mercedes Sosa está internada em estado grave e respira com ajuda de aparelhos no Hospital da Trinidad, no bairro de Palermo, em Buenos Aires, na Argentina.

Conhecida como “La Negra”, Sosa é uma das mais importantes cantoras da América Latina e consagrou músicas como Gracias a La Vida, Todo Cambia, Inconsciente Coléctivo, Volver A Los 17, Solo Le Pido A Dios, entre outras.

Particularmente, ouço suas canções de luta desde os meus sete anos. Além da voz espetacular, La Negra coloca em suas músicas a alma, tornando a letra um hino aos ouvidos.

Publicado por: Patrícia Paz | 30/09/2009

Operação “Embarque Melhor”

A Secretaria Estadual de Transportes Metropolitanos teve muito que explicar no primeiro dia Operação “Embarque Melhor” (28/09), onde ocorreu o maior empurra-empurra na estação Sé do Metrô.

A operação consiste em controlar a entrada de usuários nos trens nos horários de pico, para isso, o fluxo de passageiros é controlado por intermédio de barreiras de contenção de fluxo e o direcionamento dos usuários para os vagões da frente das composições. Teoricamente perfeito, o problema foi controlar o tal fluxo de passageiros em pleno horário de pico, 17h30min. A operação, no primeiro dia, durou somente 45 minutos e a desculpa dada pelo secretário, para o grande fracasso, foi a chuva de segunda-feira.

Nem a segunda estratégia do dia realizada pelo Metrô deu jeito na tremenda confusão da segunda, um show no horário de maior movimento para evitar aglomerações na plataforma. Um palco foi montado na Estação Sé, onde todos os dias músicos vão se apresentar, entre 17h30 e 18h30, no projeto “Seis na Sé”.

Nesta terça-feira (29) ocorreu o segundo dia da operação de controle de passageiros entre 17h30 e 19h nas estações Tatuapé e Barra Funda, mas teve gente que continuou insatisfeita com a superlotação.

Agora ficou determinado que em dias de chuva não terá operação. Vamos ver como funciona na sexta-feira, dia normalmente com maior fluxo de usuários. Além de dias frios, com acidentes, jogo de futebol, grandes eventos. Enfim, a ineficácia da operação parece ser o problema real para a ineficácia da operação. E vice-versa

Publicado por: Patrícia Paz | 30/09/2009

Lei Eleitoral

Nosso país, em mais uma demonstração de democracia, aprovou a nova Lei Eleitoral que abre espaço para a propaganda política na internet.

Legislativo e Executivo foram tão eficazes, que todo o processo de aprovação foi concluído antes do prazo determinado para o uso das novas regras para a próxima eleição, portanto, para 2010 os candidatos já podem usar de ferramentas como as redes sociais (Orkut, Twitter, Facebook, entre outros), sites jornalísticos e blogs para campanha eleitoral.

As restrições aos candidatos são mínimas, como manifestações anônimas, garantindo o direito de resposta do candidato que se sentir ofendido, assim como campanha ou propaganda paga na internet, o resto vale. Os sites de candidatos e partidos estão liberados até no dia da eleição. Os debates na internet não seguirão as mesmas regras do rádio e da TV, podendo convidar apenas os candidatos que disputam a liderança nas pesquisas, por exemplo. Para a TV e rádio, é obrigatório o convite a todos os candidatos que disputam um mesmo cargo para realizar debates.

Como somos um país sempre à frente no quesito processo eleitoral, a novidade para 2010 é o voto em trânsito para presidente da República, ou seja, o eleitor que estiver fora do seu domicílio eleitoral no dia da eleição poderá votar para presidente da República, mas isso só vai ser possível para quem estiver nas capitais. E viva o Brasil!

Agora vai, Brasil
Um outro projeto de lei foi entregue ao presidente da Câmara dos deputados, Michel Temer, pelo Movimento Combate à Corrupção Eleitoral. Com 1.3 milhão de assinaturas de eleitores de todo o país, o projeto proíbe a candidatura de pessoas com ficha suja. Em termos jurídicos, veda a candidatura daqueles que já tenham sido condenados em primeira instância por órgãos colegiados em processos movidos por ações civis públicas, como tráfico de drogas, roubo de carga, pedofilia, exploração sexual, estupro e improbidade administrativa. Quero a mesma eficácia do Legislativo na aprovação desse projeto. Sonhando além, poderíamos acrescentar ao projeto que os políticos eleitos com ações desse tipo, sofreriam impeachment imediato.

Publicado por: Patrícia Paz | 29/09/2009

Consumo doentio

“Um dia eu fiquei no shopping das 9 da manhã ás 10 da noite. Quando as portas abriram, eu entrei e lá fiquei até fechar. Eu voltei para o carro várias vezes para levar as sacolas e voltava para comprar mais. Fui para casa feliz, realizada. Tudo estava bem, eu experimentei todas as compras, escondi no armário, joguei fora as sacolas e somente comecei a pensar no que tinha feito no dia seguinte. Pensei no que teria que pagar e entrei em depressão”.

R$ 15 mil. Esse foi o valor gasto pela advogada Luciana (nome fictício), 37 anos, dentro de um shopping da cidade, em apenas um dia de compras. Luciana conta como foi parar na terapia e como reconheceu que tinha um problema, uma doença chamada oniomania, em outras palavras, o transtorno da necessidade incontrolável de comprar. Luciana é uma compradora compulsiva.

“É a descrição de um comportamento patológico, um distúrbio do comportamento. Refere-se a um descontrole da relação com as compras, do ato de comprar”, diz Daniel Fuentes, coordenador do Ambulatório de Jogos Patológicos e Outros Transtornos do Impulso (Amjo), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas.

Por ser uma prática aceitável e incentivada desde a infância, quando ocorre o descontrole excessivo dessa relação é mais difícil de detectar, para os amigos e familiares, do que outros transtornos, explica o coordenador do Amjo.

Luciana também precisou dos amigos e familiares para reconhecer que estava doente. “As brigas com meu marido começaram porque ele não conseguia pagar minhas contas, que eram cada vez mais altas. Isso porque ele não tinha conhecimento dos carnês e da minha conta bancária. Até que um dia ele disse que se não tomasse jeito ele iria se separar. Foi quando eu fui desabafar com uma amiga, de infância e ela disse que eu tinha um problema”.

A advogada não tinha coragem de procurar apoio, não queria que as pessoas a vissem como incapaz e tivessem pena. Ela só aceitou participar de terapia por entender que a amiga estava certa, ela não tinha uma relação saudável com compras. “Eu fui a uma consulta, expliquei como me sentia e iniciei um tratamento. Isso já faz quatro anos. Ali eu realmente percebi o quanto estava doente e foi muito difícil, pois durante o tratamento, eu tive várias recaídas, me endividava e mesmo tentando pagar essas contas eu voltava a contrair pequenas dívidas”.

Para Fuentes, o sintoma pode estar associado a transtornos do humor e de ansiedade, dependência de substâncias psicoativas (álcool, tóxicos ou medicamentos), transtornos alimentares (bulimia, anorexia) e de controles de impulsos. “A oniomania comumente aparece na presença de outro transtorno e precisa e deve ser tratada como doença, pois desestabiliza o social, pessoa e financeiro da pessoa”.

“Era sempre assim, na hora em que eu estava fazendo compras, eu sentia muita alegria, muita liberdade, uma sensação muito boa. No outro dia, uma sensação de derrota, de desgraça, pensando em como eu iria fazer com aquilo. Já cheguei ao ponto de levar minhas jóias para o prego, para conseguir dinheiro para comprar outras coisas, pagar dívidas que eu tinha”. No caso da advogada, a depressão foi diagnosticada como transtorno de base.

Mesmo não existindo um remédio que combata o desejo compulsivo de comprar, a melhor forma de se tratar pessoas com este problema é por meio da psicoterapia, além da necessidade de freqüentar grupos de auto-ajuda, como os Devedores Anônimos, que segue a mesma linha de atuação dos Alcoólatras Anônimos.

Além de cortar todas as formas de crédito, como cheques e cartões de crédito, o ideal é que alguém da família ou um amigo próximo assuma o controle das finanças do paciente. “O paciente elege um ‘Portador da chave’, uma pessoa próxima que o ajudará no combate ao consumo desenfreado”, conclui Fuentes.

Indução ao consumo
Para o professor de administração da USP e coordenador do programa de Administração de Varejo (Provar), Cláudio Felisoni de Ângelo, a propaganda é totalmente voltada para o estímulo do consumo. “Dizer que não sofremos a ação da propaganda é um absurdo. O processo decisório do consumo é proporcionado pelos sentidos, ou seja, ele é movido pela razão e pela emoção”.

Ângelo entende que a propaganda não é feita para incentivar uma pessoa a comprar de maneira compulsiva, mas que incentivar o consumo é o foco principal. Cabe ao consumidor decidir a necessidade do produto em sua vida. O professor define como grandes responsáveis pelo aumento do consumo, o crédito facilitado, financiamentos bancários, as promoções e grandes liquidações do varejo. Para o coordenador do Amjo os créditos facilitaram, e muito, o endividamento.

Grupos de ajuda
Os Devedores Anônimos (DA) foi criado para auxiliar pessoas que sofrem da oniomania. Segundo o grupo, o propósito de ensinar seus membros a reaprender a lidar com o dinheiro é o principal objetivo, e para isso realizam cálculos das despesas domésticas e as relacionam com os ganhos mensais da pessoa. O DA está no país desde 1997 e tem como base a proposta do DA criado em 1968 nos EUA e na Europa. Tem a mesma filosofia dos Alcoólicos Anônimos, com 12 tradições e 12 passos, substituindo as palavras álcool e sobriedade por débito/gastos e solvência, respectivamente. Para o DA, a oniomania é uma doença, acreditando que o consumo é um vício, assim como o alcoólatra tem seu vício na bebida.

Fuentes afirma que o sintoma ainda não pode ser considerado um diagnóstico, ou seja, uma doença, mas é tratado com psicoterapia e, em muitos casos, com remédios para os transtornos de base que acompanham a oniomania.

A reunião do Grupo de Devedores Anônimos tem início com a oração da serenidade e logo após há a leitura do texto sobre endividamento, com alguns tópicos sobre como identificar um DA. Os depoimentos são intercalados com a leitura das ferramentas do devedor anônimo.

Os relatos são, em sua maioria, muito parecidos uns com os outros, pessoas com certa independência financeira, com estabilidade de emprego, mas que começam a gastar de maneira descontrolada. Eles entram em um ritmo frenético para cobrir seus gastos, caindo em créditos e financiamentos como forma de pagar outras dívidas contraídas pelo consumo compulsivo.

Mantra
Um alcoólico anônimo tem como lema não beber o primeiro gole, mas para o comprador compulsivo o problema é mais complicado. Como não efetuar a primeira compra? Para Fuentes o devedor precisa entender que não é eliminando o ato de comprar que se trata a doença, mas sim comprando com moderação. “Não há como eliminar de uma vez por todas o ato de comprar, mas há como restabelecer uma relação sadia com as compras”. Para os Devedores Anônimos o mantra é “não fazer o primeiro débito”.

“Eu associo a sensação da compra ao consumo do álcool. Que seja pesquisado, mas eu acho que essa adrenalina das compras dá essa sensação de alegria, de entusiasmo e depois a sensação da desgraça é quando você não tem as sacolas na sua frente”, relembra Luciana, sobre a compulsão.

Sempre alerta
O depoimento da advogada começa com a frase: “fui uma compradora compulsiva e, até hoje, se eu não me cuidar, a minha conta vai estourar”. Em todos os depoimentos ouvidos há o mesmo relato, a vigilância constante para uma doença que não tem cura e sim uma forma de deter o impulso de comprar.

Luciana ressalta a importância de se sentir respeitada, mesmo com uma doença como a oniomania e alerta para a importância de se conhecer para depois melhorar. “Somente depois de um ano em terapia, que eu contei para meu marido sobre minha doença. Tinha medo, não da reação dele em relação ao nosso casamento, mas medo de não ser respeitada. Eu tive o respeito do meu marido, a compreensão de que necessitava, mas acima de tudo, o entendimento de que era uma doença e que eu estava lutando contra ela. Isso foi muito importante para mim no processo”.

Agora a compradora compulsiva está no fim do processo de quitação das dívidas e começa a traçar outras metas para sua vida. “Depois de quatro anos de tratamento, eu estou terminando de pagar aquelas dívidas de toda uma vida, e eu tenho um novo objetivo, que é passar para o andar de cima. Eu entendo que, durante o início da terapia, quando admiti uma doença e tracei meu plano de pagamentos, eu estava no subsolo, em direção ao térreo, onde estou quase chegando. Assim que a porta abrir, eu quero passar para o primeiro andar, ou seja, depois de pagar todos meus débitos, eu quero começar a guardar um pouco de dinheiro”.

Para Luciana, o indivíduo só pode melhorar a qualidade de vida se tiver autoconhecimento. E para ela custou quase tudo o que tinha de mais importante na vida para encarar essa realidade. “A pessoa precisa ficar sempre atenta e nunca achar que agora pode. Que depois de um tempo se controlando, pode voltar a ter talão de cheque, cartão e gastar. A minha história é essa”.

Publicado por: Patrícia Paz | 29/09/2009

Um começo diferente

Agora abro espaço para uma coisa mais direcionada e profissional. Esse blog será apenas para textos jornalísticos sobre o meu mundo, minha experiência, meu prisma. Terá de tudo um pouco, não direcionarei o espaço para um tema específico. Como sempre fiz, aqui terá desabafos sobre a injustiça da vida ou a revolta do dia, mas com um toque diferente. Apenas a vida como ela é, pela ótica de uma jornalista.

Tenham paciência e sejam bem vindos.

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